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| MARÍLIA VIEGAS - ENTRE CIDADES |
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| Exposições - Exposições Decorridas | |||||||||||||||||||||||||||||||
| 07-Jan-2010 | |||||||||||||||||||||||||||||||
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MARÍLIA VIEGAS ENTRE CIDADES patente ao público de 7 de Janeiro a 28 de Fevereiro de 2010, de terça a sabádo das 13h30 às 20h00. ENTRE CIDADES MARÍLIA VIEGAS Janeiro de 2010 Na arquitectura, evoluiu de espaços arquitectónicos de evocação clássica, para uma visão exterior de um mundo medieval, de cidades labirínticas, onde sobressaíam torres, cúpulas, pátios, todos evocativos de locais históricos visitados. Na paisagem, por vezes aflorou a abstracção, noutras, mais recentes, associou as cidades a um espaço envolvente. Na actual exposição, que se pode entender como fase final de um projecto, Marília Viegas une as duas temáticas – a das cidades, ou das casas, à da paisagem, ou dos campos. São sempre memórias. De momento, já não memórias de grandes viagens, embora mas de percursos que nos mostram um mundo rural, de campos lavrados, de árvores plantadas ordenadamente, mas transfigurado. Se falamos de paisagem, não queremos dizer paisagem naturalista. É claro que intuímos os campos, mas as cores são outras. E é importante que se acentue que a artista voltou decididamente à cor, preferindo tons quentes, dourados que evocam mundos de riqueza, ou vermelhos, de evocação mais trágica, embora saibamos que, quando o sol se põe os campos passam do ouro ao vermelho. São paisagens rurais, de zonas férteis, que lhe sabemos próximas, mas apenas evocadas, transfiguradas, como dissemos. Mas esses campos trazem ainda consigo a memória das cidades. Por isso, a escolha do título para a exposição – Entre Cidades. Não de cidades actuais, de locais conhecidos, mas de edifícios misteriosos, envolvidos de uma poética que vem do mundo dos sonhos, de sabor um tanto romântico, se repararmos, com mais atenção, que esses edifícios são medievais, pelas suas torres, pelos seus telhados, pelas arcadas góticas que podemos vislumbrar. Um dos aspectos mais interessantes da obra de Marília Viegas é a forma como aborda a perspectiva. Se em fases iniciais da sua carreira representou arquitecturas e espaços clássicos, tratados sob a mais rigorosa perspectiva geométrica, a pouco e pouco libertou-se dessa visão de raiz renascentista, para criar perspectivas inéditas, de horizontes elevados, como os primeiros paisagistas europeus – citemos Patenier – ou então vistas plongeantes, como se olhasse as suas cidades ou as suas arquitecturas a partir de um avião na fase de descida. Por outro lado, a justaposição do espaço da cidade ao do campo parece adquirir uma feição quase naïve, não fosse uma ou outra pincelada confirmar-nos que afinal só se trata de pintura. E assim sublinha a bi-dimensionalidade do suporte, continuando a utilizar um discreto relevo em que a textura da pedra adquire maior relevância. A exposição de Marília Viegas insere-se curiosamente num tema que é recordado a propósito da recente exposição Anos 70 – Atravessar Fronteiras, em que o primeiro núcleo é dedicado a Paisagens / Espaços Utópicos. Foi também nos anos 70 que a carreira de Marília Viegas como pintora se definiu. Como dissemos, o seu percurso desenhou-se entre a paisagem e a arquitectura, nunca se prendendo ao naturalismo – de facto a paisagem foi muito mais um caminho para a abstracção – mas também, ao inclinar-se para a arquitectura e para as cidades, nunca optando pela cidade moderna, da rapidez, da violência, dos edifícios em crescimento. A sua cidade nunca «engoliu» o campo, deixa-se envolver por ele, a sua arquitectura foi clássica para se tornar de um tempo indefinido, do tempo do sonho, em que clássico, medieval, renascentista ou barroco se fundem, na medida em que afloram à sua mente criadora. A paisagem é uma constante na arte ocidental ou oriental. As cidades / paisagem de Marília Viegas representam a sua visão poética e onírica do mundo. Margarida Calado Dezembro de 2009
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| Actualizado em ( 05-Mai-2010 ) | |||||||||||||||||||||||||||||||
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